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Blog do Torcedor do América-RN

Blog do Torcedor
  1. 17/03/2008

    Os Monges



    Ligo a TV e vejo a cena.

    Lhasa, capital do Tibete. Milhares de tibetanos protestam contra o controle chinês no país. No protesto, muitos cidadãos comuns, pessoas normais como eu e você. Reforçando a manifestação, estão os monges tibetanos. Aqueles mesmos que são lembrados pelo seu auto-controle. Aqueles que atingiram um patamar espiritual e mental superior. Aqueles que têm o máximo de equilíbrio. Que alguns falam que são tão controlados que podem reduzir seus batimentos cardíacos a níveis baixíssimos. Aqueles que ficam tão leves que são capazes de levitar. Resumindo: aqueles carequinhas que usam um quimono grená.

    O protesto seguia tranqüilo. Até que as tropas chinesas começaram a agir e virou baderna. Os protestantes começaram um quebra-quebra, atirando pedras e o que mais encontrassem pela frente. Só pessoas comuns no meio da conf... Epa! O que é aquilo? Um monge com um pedregulho imenso nas mãos, pronto para rumar a zorra nos chinas. Peraí, que cena estranha é essa? Um outro monge dá uma voadora numa vitrine, no melhor estilo Chuck Norris. Uma levitada que nem Richard Gere acreditava que eles eram capazes.

    A TV foi interrompida pelo telefone. É meu pai. Um dos tricolores mais apaixonados que conheço. E também é um dos tricolores mais equilibrados, sensatos e controlados que já vi.

    - E aí, pai. Tudo beleza?

    - Tudo. E Pepeu?

    - Tá uma beleza. Falando mais que um papagaio. E o nosso Bahia? Não jogou nada, né? 0x0 com o Itabuna foi de lascar. Pelo menos já estamos classificados.

    - Pois é. Mas eu nem ouvi. Só fiquei sabendo o resultado.

    - Não ouviu, pai?

    - Não. Estou dando um tempo para o Bahia. Só volto a acompanhar com vontade depois que essa diretoria sair. Até lá, não quero nem saber. Não vou prestigiar esses sacanas.

    É, tem horas que até os monges acabam dando uma voadora.

    P.s.: Pai, não vá tirar onda de monge. Forcei um pouquinho para dar um texto.

  2. 18/03/2008

    Mentira




    Odeio mentira. É uma das coisas que mais me tira do sério. Saio de mim. Fico na revolta. Rodo a baiana. Fico com a macaca. Uma arara mesmo. E ontem aconteceu uma coisa que mexeu comigo. Estava andando pela rua e um cara falou:
    - Zé, o time do Bahia não é bom.

    O sangue ferveu. Sem pensar, dei um kick-nock-sucks no sacana.

    Andei mais um pouco e outro falou:
    - Zé, o Bahia precisa de onze reforços para ficar bom.

    De novo, perdi a cabeça. Dei um rabo de arraia acrescido de uma benção no falaz.

    Mais alguns passos e outro hipócrita me provoca.
    - Zé, o Bahia não tem estádio.

    Isso não se fala. O cara ganhou uma voadora na boca para deixar de ser otário.

    Segui meu caminho até ser interrompido por outro cidadão:
    - Zé, com essa diretoria aí o Bahia não vai para lugar nenhum.

    Foi um soco cruzado com giratória dupla no meio da cara do vagabundo. Bati e continuei minha caminhada. Até ser interrompido mais uma vez:
    - Zé, o Bahia só é bom para o Baiano. Quero ver na Série B.

    Pô, sou da paz. Mas não dava para ficar quieto com isso. Disparei um hot-king-fight no peito do safado.

    Achava que agora estava tudo bem. Mas eis que ouvi:
    - Zé, o Bahia está há 7 anos sem títulos.

    Do jeito que estava, virei com um soco nas fuças do imbecil. Foi bater e o maluco caiu. Pensei que estava livre, mas ouço um grito.
    - Zé, esse Bahia de hoje só merece críticas. Não merece nenhum elogio.

    Esse salafrário estava distante. Mas peguei uma pedra e arremessei de três dedos, com o objeto fazendo belas parábolas no ar. Não deu outra, mais um no chão.

    Não é que eu seja agressivo, não. É que eu odeio mentira. Saio de mim. Fico na revolta. Rodo a baiana. Fico com a macaca. Uma arara mesmo.



    P.s.: A ilustra é de um carioca de nascimento e simpatizante do tricolor, o grande André Mantelli.

  3. 20/03/2008

    Novelão, digo, Baianão



    E a novela do Baianão continua sem fortes emoções. Apesar de ser baiana, a novela parece que foi escrita por um mexicano. É arrastada, tem poucas emoções e o coração só bate mais forte mesmo nos últimos capítulos.

    Antonio Alfredo Tricolor, Márcio Ricardo da Conquista e Lucas Francisco Vice já estão garantidos no capitulo final. Marcos Matheus Colo-Colo ainda tem que brigar um pouco com Fernando Augusto Itabuna e Marcelo Bernardo de Alagoinhas. Essa briga promete um pouquinho. Mas a audiência não deve ser muito alta.

    O povo quer saber mesmo é do aguardado duelo entre Antonio Alfredo Tricolor e Lucas Francisco Vice. Aliás, ninguém tem a mínima dúvida de que o roteirista deixou esse embate para o final. É mais ou menos como quando Ruth encontrou Raquel. Quando Bia Falcão fez um cara a cara com Júlia Assumpção. Quando Maria de Fátima mediu forças com Raquel.

    O que prejudica é a qualidade dos atores. Os que interpretam Antonio Alfredo Tricolor e Lucas Francisco Vice são péssimos. Falta uma pegada, uma interpretação convincente, entrar mais nos personagens. Tá tudo muito frio, às vezes até se confundem com meros figurantes. Lucas Francisco Vice é isso mesmo. Não se esperava mais dele. Mas Antonio Alfredo Tricolor está devendo. Falta um laboratório com os atores de 88, os de 85, os de 59, os de 90.

    Bom, vamos ver como acaba essa novela mexico-baiana. Eu mesmo vou ficar ligado só no capitulo final. Tá muito arrastada para mim. E eu tô cheio de DVD para assistir.

    -------

    Ontem Antonio Alfredo Tricolor empatou com Adriano Carlos Feirense. Não tô falando que essa novela tá arrastada?


  4. 20/03/2008

    Domingo de Páscoa - Bahia x Colo Colo



    Bacalhau, robalo, tainha, baiacu, traíra, carpa, tilápia, pacu, garoupa, enchova, barracuda, marlim, roncador, corvina, sardinha, badejo, vermelho, peixe-boi, cação, tucunaré, peixe-espada, salmão, bagre, namorado, peixe-palhaço, piranha, mandi, linguado, robalo, galo, parati, pampo, xaréu, dourado, lambari, surubim, barbado, pintado, tambaqui, aruanã, corvina, mero, garoupa, jaú, anchova, atum, colo colo, cavala, tetra-preto, acará, cascudo, lambarizão, saicanga, cambera, charutinho, canivete, monjolo, bocudo, esturjão, agulha, black bass, carapau, piau, piapara, sargo, patinga.

    Domingo é dia de comer peixe. Colo Colo não tem nada a ver com peixe. Mas eu coloquei aí no meio e aposto como ninguém percebeu.


  5. 24/03/2008

    Tudo como dantes no quartel de Abrantes - Colo Colo 1x2 Bahia




    Olha a cultura do rapaz.

    Abrantes é uma região em Portugal, um ponto militar estratégico. Justamente por isso Abrantes era cobiçada pelas tropas francesas de Napoleão. O plano era concentrar as tropas ali, já dentro do território dos portugas, e depois sair fazendo a rapa no resto do país. E assim foi feito. Os franceses dominaram Abrantes e montaram ali seu quartel. Com o maior cagaço, o rei dos bigodudos mandava um informante ficar 24 horas por dia ligado no movimento das tropas napoleônicas em Abrantes. Toda hora, o pentelho do rei queria informações. E o informante:
    - Tudo como dantes no quartel de Abrantes.

    O rei perguntava mais uma vez. E o informante, já de saco-cheio, repetia:
    - Ora, pois, tudo como dantes no quartel de Abrantes.

    E essa frase virou uma expressão muito usada além-mar. E o Bahia me fez lembrar da dita cuja agora.

    Antigamente o Esquadrão enfrentava todos os times da Bahia e a gente já sabia o resultado antes do jogo: vitória tricolor. Não tinha para ninguém. Itabuna, Atlético de Alagoinhas, Leônico, Redenção, Vitória. Era cacete tricolor para todos os lados. E pelo menos uma coisa esse campeonato baiano está tendo de bom: o Bahia está brocando todo mundo de novo (com um ou outro tropeço, mas é normal). Tá certo que é tudo um bando de timeco. Inclusive o tricolor. Mas o Bahia tá brocando. Tomara que continue assim até o final do campeonato. Aí, quando a gente perguntar para algum informante, ele vai dizer:
    - Tudo como dantes no quartel de Abrantes.

    Rapaz, tô impressionado com essa minha cultura goolgliana. Boto para f, diga aí?

  6. 27/03/2008

    Nas Oropa



    Ontem o Bahia meteu 4x1 no Atlético. O segundo tempo do tricolor foi muito bom. Ou o segundo tempo do Atlético foi sofrível. Como esse é um blog democrático, você escolhe o ponto de vista que mais o agrada. Mas, na verdade, não quero falar sobre esse jogo, não. Quero falar sobre a viagem do diretor de futebol do Bahia para a Europa. O pau quebrando no campeonato baiano, a Série B chegando, o tricolor precisando urgentemente de contratações e o cara vai curtir a Europa.

    Calma, calma, aqui vai uma revelação. O homem do futebol tricolor foi procurar reforços no velho continente. Fontes ultra-mega-super-hiper-confiáveis me deram essa informação preciosa. Passaram até uma lista de possíveis reforços que já foram contatados pela diretoria azul, vermelha e branca.

    Goleiro: Um tal de Júlio César está sendo observado. Falam também de um veterano que já atuou no futebol baiano, que tem o cabelo partido de lado e que está com saudades do acarajé de Dinha e do feijão de Alaíde (o nome ainda não posso revelar).

    Zagueiros: Para a zaga, pouca gente foi cotada. Uma jovem promessa chamada Juan. E outra chamada Lúcio. Acho Cléber e Rogério melhores, mas esse pessoalzinho é bom para o banco.

    Meio-Campo: Eis aqui a grande bomba. Ronaldinho Gaúcho quer recuperar a boa fase em terras brasileiras. O Bahia é o mais cotado por sua estrutura sem igual e pelo convênio com a Barraca do Loro. E com a Record transmitindo os jogos da Série B, é a visibilidade de que ele precisava para voltar com tudo à seleção.

    Atacante: Pato revelou que viria. Robinho está apenas aguardando o convite. Luis Fabiano quer aprender capoeira por aqui. Mas o nosso diretor de futebol está irredutível. Não precisamos de ninguém, ele diz. Nossos atacantes dão conta do recado. Meteram quatro no inabalável Atlético de Alagoinhas em ritmo de treino. Tá mais que bom.

    Bom, essa é toda a verdade sobre os reforços do Bahia. Cleverson e Cristiano foram só para despistar. O velho truque do olho torto tricolor. Depois revelo um documento importantíssimo que minhas fontes me entregaram: a quantidade de maniçoba que o esquadrão consome nas viagens para Feira. É impressionante.

  7. 31/03/2008

    Jeremiando



    Dia desses, aprendi uma expressão nova: jeremiar. Jeremiar é um verbo que significa lastimar, lamuriar, chorar as pitangas. Eu jeremio, tu jeremias, ele jeremia, nós jeremiamos, vós jeremiais, eles jeremiam. Vem do profeta bíblico Jeremias, o carinha do Livro das Lamentações. Pois bem, com essa nova palavra no meu vocabulário, comecei a reler os textos aqui do Blog. Percebi que eu jeremiava sem parar.

    Jeremiava pela escassez de títulos do Bahia.
    Jeremiava pelo tricolor ter um goleiro mão de quiabo.
    Jeremiava pelo bahiaço não ter um lateral direito que diminua as saudades de Daniel Alves.
    Jeremiava pela dupla de zaga não dar meio Claudir.
    Jeremiava por não ter um lateral esquerdo que parta para dentro (lá ele).
    Jeremiava pelo meio de campo sem pegada e sem elegância sutil.
    Jeremiava pelo ataque sem cheiro de gol.
    Jeremiava pela falta de um alçapão tricolor.
    Jeremiava pelo Bahia não ter um blogueiro decente.
    Jeremiava pela diretoria que, definitivamente, não deve ser Bahia.

    Enfim, jeremiava sem parar, mesmo sem saber que esse tal de Jeremias existia. Aliás, Jeremias para mim era só aquele que não bate córner.

    Mas cansei de jeremiar. Afinal, apesar de tudo, ontem o tricolor brocou o Juazeiro por 2x0 e acabou a fase classificatória do Campeonato Baiano em primeiro. Dois pontos na frente do segundo. Oito na frente do terceiro. E quinze na frente do quarto.

    Foi então que me lembrei de outros dois profetas também muito importantes, Timão e Pumba. Que Timão e que Pumba? Ora, são aqueles pensadores que encontraram Simba, o Rei Leão, quando ele ainda era um leãozinho tchutchuquinho e estava numa pior. Aqueles caras que cantavam assim:

    Os seus problemas
    Você deve esquecer
    Isso é viver
    É aprender
    Hakuna Matata

    Pronto. Foi me lembrar dos caras e esquecer os problemas do Bahia. Só pensei no tricolor na ponta da tabela do baianão. Definitivamente, parei de jeremiar. E comecei a hakuna-matatar. Eu hakuna-matato, tu hakuna-matatas, ele hakuna-matata, nós hakuna-matatamos, vós hakuna-matatais, eles hakuna-matatam. Conjugar esse verbo aí é mais melhor de bom.

  8. 31/03/2008

    Biruleiby



    (Comece a ler o texto com a voz de Ary Toledo)
    - O auditório conhece o Biruleiby?

    (Agora, volte a sua voz normal)

    Biruleiby é um fenômeno. Um bicho feio para diabo com duas dançarinas popozudas e uma música sem pé nem cabeça. O cara tem um estilo estranho, uma dancinha estranha, óculos estranhos, uma barba mais estranha que a minha e o modelito das dançarinas também é pra lá de estranho. Sem contar no cenário mutcho loco e na coreografia que não faria sucesso nem lá no Recanto dos Orixás. Mas mesmo com tanta estranheza, no território da trashêra da internet ele vai fazendo um baita sucesso.

    Biruleiby me lembra um pouco o Bahia.

    - Mas que viagem é essa, Zé? Tá louco, mermão?

    Calma, eu explico essa estranha constatação. O tricolor tem um goleiro estranho, uma zaga estranha, um meio-campo estranho, um ataque estranho, jogadores com nomes estranhos e torcedores muito estranhos. Mas mesmo assim vai fazendo sucesso no território trash do baianão. É Biruleiby bombando nos computadores dos internautas e o Bahia metendo nos campos do Campeonato Baiano. Dois sucessos igualmente estranhos. Duas trashêras de dar gosto, mas que vão conquistando espaço.

    Só mais uma coisinha para acabar: Biruleiby vai sair de moda rapidinho. Tomara que o Bahia fique mais tempo na crista da onda.




  9. 03/04/2008

    Icasa 1x6 Criciúma



    Só para lembrar: o Icasa foi o time que eliminou o Bahia da Copa do Brasil.

    Isso não quer dizer que o time do Bahia seja bom apenas para o Campeonato Baiano e que a gente tenha que cobrar melhores contratações para a Série B.

    Quer dizer que o Criciúma é um verdadeiro esquadrão.

  10. 03/04/2008

    Jogos Inesquecíveis que eu Não Lembro Direito
    Episódio 1 - Bahia 3x1 Grêmio (eu acho)



    Aposto meu salário aqui do blog como todo mundo tem na cabeça um punhado de jogos que não lembra direito como foi, não lembra direito com quem assistiu, não lembra direito de quem foi o gol, nem quanto foi. Pois bem, apesar de ser conhecido como Zé Memorinha, o Homem Que Venceria o Soletrando, o Homem que Lembra Exatamente a Escalação do Atlético de Alagoinhas Que Tomou 10 do Bahia, eu também tenho os meus jogos que não lembro direito. E vou começar a contar a história deles para vocês.

    Bahia x Grêmio. Foi na Fonte. Fui eu, acho que meu pai, acho que meu irmão e acho que um amigo de meu pai. Era ainda a fase classificatória do Brasileiro de 88. Acho que era o último jogo. O Bahia ainda tinha Pereira na zaga e Sidmar no gol. O tricolor tava jogando muito. O time tocava a bola rápido, de pé em pé. Charles, Marquinhos, Zé Carlos e Bobô formavam um quarteto sacaninha.

    O primeiro gol do Bahia nem sei de quem foi. Eu acho que o Grêmio empatou depois, sei lá. O que eu sei é que, no segundo tempo, Pereira cobrou uma falta pela esquerda do ataque do Bahia e acertou o ângulo do goleiro do Grêmio. O bicho pulou, mas só para sair na foto. Golaço. Agora fiquei na dúvida, mas acho que esse gol foi nesse jogo mesmo. O importante é que depois do gol tudo virou festa. Acho que eu tava comprando um picolé nessa hora. A galera pulando, comemorando. O cara do picolé me dando o troco. E o Bahia comendo a bola. O Grêmio mais perdido que surdo-mudo tentando conversar com cego. Sentei com meu picolé e fiquei admirando aquilo. Meu Bahia jogando do jeito que eu sempre quis.

    Acho que antes do picolé acabar, o Bahia trocou uns cinco, ou seis, ou sete, ou oito, ou apenas três passes rápidos até a bola encontrar Marquinhos na esquerda da grande área. Acho que foi ele. O sacana bateu de primeira e fez. 3x1. Golaço. Coloquei o picolé na boca (ó o respeito, rapá), segurei só com os dentes e comemorei a valer. Acho que era o finalzinho do jogo. Só sei que não lembro muita coisa depois disso. Só que o picolé era de mangaba. Ou de chocolate. Ou limão. Sei lá.


  11. 07/04/2008

    Vitória da Conquista 0x0 Bahia – Ritmo de Confusão



    Começou o quadrangular final do Campeonato Baiano. E para falar em grande estilo sobre a fase decisiva do certame, aproveitei que estou por aqui na globo.com e resolvi convidar algumas importantes figuras globais. Cada uma analisará um jogo, dando o seu ponto de vista, do jeitinho que só elas sabem dar.

    O primeiro convidado foi o famoso locutor das chamadas da Sessão da Tarde. Olha só como ele viu Vitória da Conquista 0x0 Bahia.

    Essa galera de Conquista estava pra lá de animada. Mas a turminha tricolor queria aprontar altas confusões. O resultado foi um jogo superequilibrado, mas que ficou devendo em emoção. O Bahia entrou supercauteloso e deu supermole, e não foi o hóspede do barulho que prometera ser. Já o Vitória da Conquista queria transformar a vida em coisa de cinema, mas ficou só na supervontade. Acho que o grande problema do time é o nome pra lá de azarado.

    Foi um jogo superfraco, que não conseguiu conquistar os mais belos corações. Prometia não deixar pedra sobre pedra e abrir o quadrangular em ritmo de emoção, mas ficou devendo e o Bahia deu uma supermoleza. Agora, é correr atrás dos pontos perdidos, já que o Vitória bateu o Itabuna e abriu vantagem. Complicar um jogo que todos davam como vencido. É, esse Bahia é mesmo mestre na arte de arrumar confusão. Um parafuso a menos e confusão tamanho-família.

    No próximo jogo, a turminha do Comelli vai ter que aprontar altas confusões para reparar esse supervacilo tamanho-família.

    Fiquem agora com Malhação e essa garotada que apronta altas.

  12. 09/04/2008

    Cavalo o quê?



    Tão chamando o nosso Bahia de cavalo paraguaio. Uma singela forma de dizer
    que o tricolor andou sempre na frente, mas que vai dar uma refugada agora na
    final. Legal. Isso só pode ser coisa de torcedor do vice. Uma criatividade
    enorme. Um povinho muito original. Só falta falar que quem ri por último ri
    melhor. Ops, isso já falaram também. Tudo porque ganharam do Itabuna e o Bahia empatou com o Vitória da Conquista. Acho que precisamos analisar melhor os fatos.

    O Bahia jogou contra o segundo colocado do campeonato, o segundo melhor time do estado. Fora de casa. Ou seja, foi a final antecipada. Aliás, o único jogo duro que vamos ter nesse quadrangular.

    Já o futuro saco de pancadas da primeirona jogou contra o quarto colocado do campeonato. Um time que ficou quinze pontos atrás do Bahia. Eu não disse nem um, nem dois, nem três, disse quinze. Quinze pontos atrás do Bahia. O Itabuna só está aí porque precisava ter mais um. Nessas circunstâncias, 1x0 foi ridículo.

    Tudo bem, o Bahia precisa correr atrás do prejuízo agora. Mas anota aí e me cobra depois: dou um gol de vantagem para o Itabuna domingo. Apesar de não confiar nem um pouco no ataque tricolor.

    Anota aí de novo: o Vitória da Conquista vai brocar o vice.

    E anota só mais esta: o Bahia vai terminar a rodada na liderança.

    Se eu errar, é só uma questão de tempo. Esse campeonato está fácil, fácil.
    Apesar de o Bahia ser uma carniça, os outros times ainda conseguem ser
    piores. O vice, coitado, vai ser piada na Série A.

    E por falar em piada…

    O Bahia bateu na casa do presidente do vice e disse:
    - Oi, eu sou o cavalo paraguaio e vim aqui para brocar o vice sem dó.

    Assustado, o presidente disse;
    - Para o quê?

    O Bahia respondeu:
    - Paraguaio.

  13. 11/04/2008

    Um causo que não tem nada a ver com o Bahia ou Para relaxar antes do Bahia x Itabuna



    No interior do interior do interior do Brasil, tinha um time de futebol com um jogador especial: o dito-cujo era completamente desprovido de neurônios. Era o que a gente chama vulgarmente de burro. Um cara tão fraco das idéias que foi reprovado na escola porque errou na ficha de matrícula. Se fosse mulher, ia nascer loira. E ainda ia passar água oxigenada na cabeça para não deixar a mínima dúvida.

    Pois bem, esse jogador aí era pouco inteligente, mas cheio de graça.
    A galera curtia o cara, era um verdadeiro amigão. Tão gente boa que quando o centroavante e o goleiro receberam um convite para visitar a casa das irmãs Ferreira, eles não pensaram duas vezes: convidaram o tal da inteligência anã para a visita.

    As irmãs Ferreira eram três moçoilas de dar gosto. Recatadas, simpáticas, bem feitas de corpo e com aquele sorrisão com poder de hipnose herdado da mãe, dona Ferreira, que, por sua vez, herdou da avó, dona Ferreirona, que herdou da bisa, dona Ferreironona.

    Dia marcado, e lá foram os três para o evento. O centroavante, o goleiro e o dos neurônios subdesenvolvidos. A visita foi agradabilíssima. As meninas adoraram os rapazes. A mãe, dona Ferreira, também ficou encantada. O da inteligência pintora de rodapé se comportou como um cavalheiro e ninguém percebeu sua característica marcante.

    Tudo ia bem, até que eles resolveram ir embora. Dona Ferreira, sempre simpática, falou para os três jogadores:
    - Ah, pelo menos fiquem para comer conosco.

    De bate-pronto, como uma bola que vem altinha e que grita “Me chute, me chute!!”, o dos neurônios minúsculos revelou toda a sua personalidade:
    - Eu vou aceitar um conosquinho.

    E assim surgiu a palavra conosquinho. Um novo sinônimo para petisco, acepipes e breguetes. Está nos livros. Está nos cardápios. Está nos anais. Eu já incorporei. Conosquinho está no meu vocabulário.

  14. 14/04/2008

    O Oráculo está de volta



    Aí, patota, mudei os planos. Antes pensava em deixar o Campeonato Baiano um
    pouco mais pop, convidando figuras importantes da televisão brasileira para
    comentar os jogos do quadrangular final. Mas decidi mudar.

    Sim, meus negos, mudei porque fiz algumas previsões no penúltimo post e
    ninguém levou a sério. Foi então que percebi que me esqueci de contar uma
    coisinha importante para vocês: eu, o Zé, o Caíto, também sou o famoso
    Oráculo da Ladeira do Pepino.

    Tudo se deve a um poder, um talento especial que eu sempre tive e
    desenvolvi. Eu tenho o dom da adivinhação. Vejo o futuro. Sou capaz de ler
    as entrelinhas do destino e consigo antecipar alguns fatos com grande
    precisão. Isso me tornou muito conhecido, com uma fama que atravessava rios
    e mares, matas e florestas, morros e cordilheiras.

    Vejam algumas notícias altamente divulgadas na imprensa local, regional,
    internacional, mundial e coisa e tal.

    “Zé aconselha Elvis: que pagode que nada, o que pega é o rock.”

    “Zé dá um toque para Odete Roitman: cuidado com a Cássia Kiss.”

    “Zé dá a dica para Daiane: um dia você ainda vai fazer sucesso com essas
    piruetas, baixinha.”

    “Zé fala para Steve Jobs: coloca uma maçãzinha na marca que é batata.”

    “Zé avisa a Pelé: dedica o gol para as criancinhas que vai pegar bem.”

    “Zé fala para Gil Sergipano: fica na entrada da área que a zaga do
    Fluminense vai dar rebote.”

    “Zé recomenda para Muhammad Ali: espera até o último round que George
    Foreman vai chegar boiado.”

    “Zé fala para Bel: usa uma bandana que você vai lançar moda.”

    “Zé fala para Rafinha: inscreva-se que você ganha, bicho.“

    Talvez eu ainda não tenha revelado esse traço da minha personalidade porque
    cansei de tanta fama. Não sabia mais se as pessoas se aproximavam de mim
    pelo Zé ou pelo Oráculo da Ladeira do Pepino. Era uma vida de mulherio,
    jogatina, tabagismo, orgias. E isso cansa, meus guris.

    Mas não resisti. E comecei a aprontar das minhas. Novamente entrou em campo
    um festival de previsões de placa. Bahia ganha do Itabuna.
    Anotaram? Vice se complica com o Vitória da Conquista. Anotaram?
    Bahia acaba a rodada em primeiro. Anotaram?

    Bom, agora anotem estas:

    Ba x Vi no lixo, empate.

    Ba x Vi em Camaça, Bahia broca.

    Bahia campeão antecipado. Vice tropeça no meio do caminho e facilita tudo.

    Agora vamos deixar as previsões de lado. Aqui vai uma dica para o goleirinho
    do Vice: quando for sair do gol, fecha a perna. E pede sorvete de tapioca na
    Sorveteria da Ribeira.

Zé é filho de Carlos e Maria. Também conhecido como Caio. Ou Caito. Publicitário. Baiano pacas. Bahia idem. Tem 33 anos. Aquariano. Com a lua em virgem. Saturno na segunda casa. Plutão no terceiro quadrante. Odeia astrologia. Curte mesmo é quebrar uma gelada com a galera. Ouvir o Chicletão. Ir para a Fonte. Bala Sete Belo. É tio de Lina e Lulu. Pai de Pepeu. Redator. Já foi vizinho da Fonte Nova. Viu o Bahia campeão brasileiro. Viu o Bahia brocar todo mundo. É considerado um pé quente. E nunca usou tanto ponto final na vida.

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